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Por que você deve afastar seu filho das telas?

Reprodução: Internet

Se, antigamente, as crianças insistiam para brincar na rua até mais tarde com os amigos do bairro, hoje em dia, a evolução das tecnologias tornou-se um convite ao sedentarismo. Em meio a infinitas telas – celulares, tablets, videogame e televisão – a preferência entre os baixinhos é ficar esparramado no sofá ou na cadeira.

Neste cenário, o desafio é afastar seu filho das telas e dar prioridade para as atividades físicas. “Melhorar a atividade física, reduzir o tempo de sedentarismo e garantir o sono de qualidade em crianças pequenas melhorará sua saúde física, mental e de bem-estar, e ajudará a prevenir a obesidade infantil e doenças associadas mais tarde”, alerta Fiona Bull, gerente de programas de vigilância e população na OMS.

Segundo a OMS, o sedentarismo é responsável por mais de 5 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano em todas as faixas etárias. Atualmente, mais de 23% dos adultos e 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos.

Portanto, se esses hábitos saudáveis forem estabelecidos no início da vida, as chances de permanecerem ao longo da vida são grandes. 

“O que realmente precisamos fazer é trazer de volta o brincar para as crianças”, diz Juana Willumsen, o ponto focal da OMS para obesidade infantil e atividade física. “A primeira infância é um período de rápido desenvolvimento e uma época em que os padrões de estilo de vida da família podem ser adaptados para aumentar os ganhos em saúde”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Dicas para afastar seu filho das telas

Segundo a OMS, a aplicação das recomendações para afastar seu filho das telas durante os primeiros cinco anos de vida contribuirão para o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e para a saúde ao longo da vida. Confira, abaixo, quais são elas de acordo com cada faixa etária.

Menos de 1 ano de idade

Manter o bebê fisicamente ativo, várias vezes ao dia, por meio de jogos interativos no chão. Aqueles que ainda não engatinham, os pais podem colocar a criança em posição de bruços – quando estiverem acordadas – diversas vezes ao dia, totalizando o tempo máximo de 30 minutos.

Também não é recomendado deixar o bebê por mais de uma hora corrida em carrinhos de bebê, cadeiras ou preso ao sling. Até 1 ano de idade, o ideal é não expor a crianças às telas. Quanto ao sono, o tempo ideal é de 14 a 17 horas até os 3 meses de idade; e de 12 a 16 horas de 4 a 11 meses de idade, incluindo cochilos.

De 1 a 2 anos de idade

A orientação, nessa fase, é fazer pelo menos 180 minutos de atividades físicas variadas, em qualquer intensidade, ao longo do dia. Assim como com bebês, não é recomendado que passem mais de 1 hora seguida sentados.

Para crianças de um ano de idade, o tempo de tela sedentário(como assistir TV ou vídeos, jogar jogos de computador) não é recomendado. Para aqueles com 2 anos de idade, o tempo não deve ser superior a 1 hora. Já a quantidade de sono recomendada é de 11 a 14 horas, incluindo sonecas.

De 3 a 4 anos de idade

Crianças dessa faixa etária também devem praticar 180 minutos de atividades físicas diárias, no entanto, pelo menos 60 minutos devem ser de intensidade moderada a vigorosa.

Não é recomendado que a criança permaneça por longos períodos consecutivos (1 hora) sentada. É importante também garantir que ela durma de 10 a 13 horas por dia, incluindo um cochilo.

O que dizem os médicos sobre afastar seu filho das telas?

Para a oftalmologista Rosa Maria Graziano, presidente do Departamento de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SP-SP), as novas recomendações da OMS – quanto ao tempo de exposição a tela – não trouxe grandes novidades. “

A Sociedade Brasileira de Pediatria já emitiu parecer quanto ao uso de telas já faz tempo”, lembra. No entanto ela orienta os pais que tenham bom senso para fracionar esse limite de uso de uma hora ao longo do dia.

“Eu recomendo que essa uma hora seja dividida em duas ou três vezes. Ultimamente, nos consultórios, estamos vendo um número crescente de crianças com ‘olho seco’, que, até então, era um problema relatado apenas pelos adultos”, diz.

“Normalmente, piscamos de 15 a 20 vezes por minuto, mas quando estamos olhando algo fixamente – como para uma tela -, para não perder a definição daquilo, o cérebro regula a quantidade de piscadas para cerca de 2 a 3 vezes por minuto. E se você faz isso demoradamente, causa o chamado olho seco, dando a sensação de areia ou cisco nos olhos, eles ficam com aspecto avermelhado e irritados”, explica a especialista.

Segundo ela, uma criança de 2 anos com uma hipermetropia leve, que não precisa de óculos, se fizer um uso excesso das telas, provavelmente sentirá cansaço na visão pelo uso contínuo da acomodação visual.

“Também é importante afastar seu filho das telas antes de dormir e no momento das refeições. É claro que tablets e celulares têm suas vantagens, mas precisamos ter consciência de que o uso excessivo pode levar a diversos problemas de socialização e ansiedade”, diz.

A oftalmologista ainda finaliza lembrando que atividades ao ar livre são sempre bem-vindas! “O sol ajuda o organismo a liberar uma substância chamada dopamina que atua no desenvolvimento dos olhos. A luz ambiente é incrivelmente mais fraca que a natural. Por isso, a recomendação para afastar seu filho das telas é passar mais tempo ao ar livre do que dentro de casa”, conclui.

Nossa fonte: conteúdo publicado originalmente na Revista Crescer