Diabetes infantil: a importância do diagnóstico precoce
1 de agosto de 2019
Acidentes de trânsito com crianças: como prevenir!
5 de agosto de 2019

Desistência da amamentação: o que explica essa atitude?

A desistência da amamentação por parte de muitas mulheres é motivo de preocupação entre os especialistas. Eles defendem que o leite materno seja o único alimento do bebê até os seis meses de vida, e complementar, até os dois anos de idade.

Ginecologista, obstetra e mastologista, Mariana Rosário lembra que a desistência da amamentação é mais comum entre as mães com alto poder aquisitivo.

Ela admite que este pode não ser um processo fácil, porque há muitos bebês que demoram a pegar o peito. “Mas, a amamentação é tão importante que eu insisto para que as gestantes tentem o tempo que for necessário para que se crie esse vínculo entre mãe e filho e a amamentação aconteça”, defende.

Apesar dos comprovados benefícios do aleitamento materno, apenas 39% dos bebês brasileiros são amamentados com exclusividade até os cinco meses de vida, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS

Recentemente, uma pesquisa divulgada no periódico The Lancet afirma que a amamentação está associada a uma redução de 13% na probabilidade de ocorrência do sobrepeso e/ou obesidade e também a uma queda de 35% na incidência do diabetes tipo 2.

Por que, então, ocorre a desistência da amamentação?

Existem vários motivos que podem levar a desistência da amamentação. Dor, medo, insegurança e até motivos estéticos podem surgir e serem potencializados por alguns mitos relacionados ao aleitamento.

Segundo Mariana Rosario, amamentar pode se tornar mais fácil com preparação. Ela fornece algumas explicações:

Teoricamente, todas as mulheres produzem leite, desde a gestação

Após à saída da placenta, existe a saída do colostro, que dura de três a cinco dias e é um alimento fundamental para o bebê, porque traz anticorpos imprescindíveis para a proteção de seu organismo.

A ‘descida do leite’ pode causar dor

As mamas ficam bem cheias e é possível que exista dor e, em alguns casos, até febre. Não é um momento para estresse, porque apenas com calma e paciência é que a mãe conseguirá amamentar. O estresse, inclusive, pode prejudicar a produção do leite.

É comum que, nos primeiros dias, os bebês não peguem o peito

Sempre que isso acontece, as mães se desesperem. Isso é comum, mas eles estarão no hospital, acompanhados pela equipe médica, e nada de ruim acontecerá.

É o melhor momento para que se tente amamentar, acompanhada pela equipe de enfermagem e com todo o apoio.

Em casa, também não se deve desistir, porque o recém-nascido tem instinto de sobrevivência e precisa se alimentar. É hora de tentar alimentá-lo, primeiro com a mama, seguindo para fórmula apenas depois de tentar a amamentação, e com orientação do pediatra.

Dependendo do jeito que o bebê pega o peito, pode causar rachadura

Por isso, é fundamental seguir as orientações da equipe de enfermagem e do obstetra, que têm muita experiência e podem orientar a mãe. Também existem pomadas específicas para tratamento, que devem ser usadas apenas após o nascimento do bebê.

Bicos de silicone e outros utensílios para ajudar as mães na amamentação.

É o estímulo do sugar do bebê, entretanto, que fará com que o leite desça e que a produção seja contínua. Por isso, não se deve desistir – mas, também não se pode deixar a criança mamar quando o peito estiver machucado, porque a situação pode piorar. Por isso, quando houver qualquer problema, deve-se procurar pela orientação médica e recorrer a utensílios

Desistência da amamentação pelo mito de deformações na mama

Existe o mito de que a sucção da criança deixaria as mamas flácidas e caídas e uma pequena parcela delas opta pelas fórmulas para evitar esse efeito.

Esse é um erro de interpretação: as mulheres que já têm as mamas flácidas realmente terão o problema acentuado. Porém, as que não as têm não sofrerão do problema.

O medo da volta ao trabalho

Por último, cita-se o medo da volta ao trabalho. Porém, é melhor ele ser amamentado pelo maior tempo possível, com exclusividade, do que não ter nenhum período disponível desse alimento, tão precioso. Então, analisando friamente, mesmo que a mulher não consiga seis meses de licença, é preferível amamentar o bebê com exclusividade por quatro meses do que em nenhum momento.

Nossa fonte:
Formada pela Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP), em 2006, a Dra. Mariana Rosario possui os títulos de especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia pela AMB – Associação Médica Brasileira, e estágio em Mastologia pelo IEO – Instituto Europeu de Oncologia, de Milão, Itália, um dos mais renomados do mundo.