Pai de bebê prematuro: esteja perto da mãe!
7 de agosto de 2019
Prevenção de assaduras: saiba como cuidar do bebê
11 de agosto de 2019

Transtornos de aprendizagem: você sabe identificá-los?

Ninguém está a salvo de tirar nota baixa vez ou outra. Mas, quando o problema persiste, o melhor caminho é conhecer os fatores que estão afetando o desempenho escolar. Em alguns casos, a origem do problema pode estar em um dos transtornos de aprendizagem.

Para esclarecer as dúvidas dos pais sobre o tema, o site do projeto Escolas do Bem publica, na íntegra, uma entrevista da neuropsicóloga
Anna Carolina Rufino Navatta, que serviu de base para uma reportagem da Revista Na Mochila. Continue a leitura!

Diferenças entre dificuldades e transtornos de aprendizagem

Existe uma diferença entre dificuldades e transtornos de aprendizagem. As dificuldades podem ser oriundas de:

  • método da escola não adequado ou não compatível ao perfil da criança,
  • dificuldades emocionais,
  • quadros como ansiedade e depressão,
  • conflitos familiares,
  • situações traumáticas, dentre outras questões.

Já os transtornos de aprendizagem possuem origem neurobiológica – com ênfase em leitura, escrita e/ou matemática – , sendo eles a dislexia, discalculia, disgrafia.

Para diferenciar um quadro do outro, se faz necessário realizar uma avaliação neuropsicológica, fonoaudiológica e psicopedagógica, e dependendo do resultado a busca pelo neuropediatra ou psiquiatra infantil.

A hora certa de procurar ajuda

Diferentemente do que se pensa, não devemos esperar muito tempo, quanto mais precoce o tratamento. menor o risco de a criança desenvolver outros quadros.

Quando não tratada adequadamente, é muito comum que a criança com dislexia, por exemplo, apresente outros problemas como baixa autoestima, tristeza, quadros de ansiedade e ou depressão.

Ao mesmo tempo, é preciso entender que a alfabetização depende de maturação cerebral e existe um processo e um tempo para que isso ocorra de maneira saudável.

Sinais que merecem atenção

Normalmente, existem sinais que indicam que a criança é portadora de um dos transtornos de aprendizagem. Os pais devem:

  • Estar em contato com a escola sempre;
  • Averiguar se a criança está acompanhando a proposta pedagógica, participar das reuniões e conversar sempre com a professora;
  • Observar se mesmo após insistentes apresentações das letras e após trabalho coerente realizado pela escola, ainda assim a criança não reconhece ou confunde as letras;
  • Atrasos na aquisição da fala e trocas na fala podem ser preditivos de algumas dificuldades;
  • Antecedentes na família (pais ou parentes que apresentaram dificuldades escolares);
  • Dificuldade com rimas e músicas (não consegue aprender);
  • Dificuldade para lembrar o nome das coisas;
  • Leitura muito lenta, entrecortada, com muitas falhas (mesmo após estimulação);
  • Dificuldades com reconhecimento de direita e esquerda, em cima, em frente , atrás
  • Dificuldades para ler horas, sequências (meses, ano, semana)
  • Dificuldade em brincadeiras;
  • Em geral os pais notam a criança como muito esperta para outras coisas, dizem: “ele é esperto para tudo o que não é da escola”. Existe uma discrepância entre a capacidade intelectual e a capacidade de aprendizagem de leitura/ escrita/ matemática
  • Observar se a criança sente dores de cabeça, dores barriga (as vezes no domingo à noite depois de passar todo o final de semana feliz, ou na hora de ir para escola)

A importância do diagnóstico especializado

A avaliação especializada pode esclarecer o quadro e assim direcionar para o tratamento mais indicado, evitando outros problemas. Os transtornos de aprendizagem podem ser tratados e assim os efeitos negativos podem ser minimizados e a criança pode se desenvolver da melhor maneira possível.

Existem testes aplicados nas avaliações clínicas (avaliação neuropsicológica, fonoaudiológica e psicopedagógica) que podem esclarecer o quadro clínico.

O importante de realizar uma avaliação neuropsicológica é justamente diferenciar os quadros possíveis.

Dificuldades – que podem ser ocasionadas por método não adequado, trocas frequentes de escola, problemas com o professor, trocas de professores ou até mesmo uma área de menor habilidade da criança (nesse caso, aulas particulares, apoios e reforços podem bastar)

Transtornos – transtornos de base neurobiológica – são os ligados a aprendizagem (dislexia, discalculia, disgrafia)

Existe também o TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade que em alguns casos interfere na aprendizagem

Quadros de disfunções de visão e audição – que muitas vezes não são percebidos –  a avaliação por vezes identifica e então encaminha para o médico

Há, ainda, os quadros de ansiedade e depressão. Por isso, a avaliação profissional sempre é o caminho para o diagnóstico correto e indicação do melhor tratamento

A participação de pais, professores e colegas

A escola deve ficar atenta a provocações e ao bullying, é comum essas crianças serem chamadas de: “burras”, “preguiçosas” e “folgadas”. Esses rótulos por vezes seguem a vida toda com a criança.

No caso dos transtornos de aprendizagem relacionados a leitura, é preciso tomar cuidado para não expor a criança a situações potencialmente constrangedoras. Por outro lado, é preciso encontrar maneiras de incluí-las nas atividades.

De acordo com cada caso, ela pode realizar a leitura de algumas palavras especificas para as quais ela já tenha sido previamente treinada

O professor pode criar situações em grupo e dar para cada membro do grupo uma atribuição (assim essa criança pode realizar alguma atividade verbal, na qual se desempenhe melhor, por exemplo)

É importantíssimo que outras habilidades das criança com transtornos de aprendizagem sejam valorizadas. Atividades extras podem ser uma oportunidade para que elas se expressem de outras maneiras.

O uso de materiais concretos e métodos alternativos auxiliam muito as crianças com dificuldades nos cálculos/ matemática. 

O medo de buscar ajuda para transtornos de aprendizagem

Algumas pessoas dizem que tem medo de procurar ajuda especializada, alegando que “quem procura acha”. Essa crença precisa ser abandonada. Uma vez diagnosticada corretamente, as chances de melhora e de evolução são enormes.

A criança disléxica aprenderá a ler, aquela com depressão terá a chance de se recuperar e aprender meios mais eficientes de pensar e enfrentar situações difíceis, a com ansiedade poderá desenvolver recursos de controle dos sintomas mais saudáveis.

Nossa fonte: Anna Carolina Rufino Navatta é Psicóloga, especialista em Neuropsicologia. Mestre em Ciências pelo Departamento de Pediatria da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).