Gestão com propósito: uma estratégia para a sua escola crescer, fazendo os outros crescerem

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Sabe aquele velho ditado: “O que se planta, colhe”? Ou ainda entende o conceito da terceira Lei de Newton,  que diz que para toda ação existe sempre uma reação oposta e de igual intensidade?  Pois, se você entender isso, já está meio caminho andado para compreender o significado de uma gestão baseada em responsabilidade social ou, melhor ainda, de uma gestão com propósito.

Esses conhecimentos universais resumem um simples significado:  que tudo o que você fizer de bom ou de ruim para as pessoas com as quais você ou sua empresa se relacionam, voltará com a mesma intensidade para a sua vida, incluindo as ações relacionadas ao meio ambiente.

Para as empresas de sucesso, esse conhecimento de que as ações e comportamentos impactam nos resultados já está basicamente em seu DNA. A questão é que as pequenas e médias empresas, por não terem consciência ou não dar importância ao tema, estão deixando passar uma grande oportunidade de crescimento com sustentabilidade.

O fato é que muitas pessoas ainda acreditam que é de responsabilidade do Estado ou das grandes empresas zelar pela melhoria da qualidade de vida da sociedade, pelo cuidado com o planeta ou pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Porém, é preciso entender que nas relações humanas e ambientais impera uma interdependência, que precisa ser cultivada, cuidada e alimentada o tempo todo. E quando ocorre uma relação de ganha-ganha, o crescimento acontece para todos.

 

 “Uma reputação forte e de excelência tende
a aumentar a conexão emocional
entre a escola e seus públicos.”

 

gestão com propósito

Imagem: Freepik – designed by rawpixel.com

 

RESPONSABILIDADE DE TODOS

Não basta mais pensar apenas em uma gestão com responsabilidade social como se acreditava principalmente na década de 1990. Empresas que pensam além do lucro sempre obtiveram melhores resultados – de todos os tipos – no longo prazo.  A questão agora é que o mundo mudou numa velocidade incrível e espera-se muito mais do outro do que simplesmente uma relação comercial fria.

Dentro desta nova perspectiva, as empresa que possuem um propósito definido, e conseguem manter essa semente viva no dia-a-dia da organização, alcançam resultados extraordinários. E o que é melhor, num período mais curto.

Se a sua escola tem 30, 40, 50 anos de existência, e você continua acreditando que o que deu certo até agora vai perpetuar, que em time que está ganhando não se mexe, está na hora de mudar seus princípios.

Entramos na era da Gestão com Propósito, do olhar afetuoso para o indivíduo, de cuidar do outro, das relações éticas e transparentes (de verdade!), de uma aproximação maior com o poder público, em uma era onde a comunicação nunca esteve tão fácil e acessível, alcançando multidões em milésimos de segundos. As práticas de gestão que deram certo há até pouco tempo já estão antiquadas: as velhas regras que serviram de base para o sucesso das empresas já não funcionam no novo mercado. Basta analisar os resultados dos últimos anos das empresas que ainda não se adequaram a este novo modelo.

 

 “Negócios movidos por um objetivo maior
alcançam um desempenho até
dez vezes superior
àqueles que só se preocupam com lucros.”

 

No prefácio do livro “Empresas Espiritualizadas”, de Pedro Ivo Moraes, o fundador da rede de cafeterias Santo Grão, Marco Kerkmeester diz que todo mundo serve café, mas lá eles servem “café com amor”. Esse é o seu propósito. Ao ter isso bem definido, essa regra de ouro que norteia todo o negócio, fica fácil recrutar pessoas que compartem desse mesmo propósito, de reter talentos, motivar a equipe, satisfazer o cliente, ter um super diferencial competitivo e se tornar uma referência. Até porque, onde você gostaria de tomar café? Em um lugar onde servem com amor ou em uma cafeteria qualquer? E mais: quanto custa para a empresa colocar “amor” no café?

E na sua escola, qual é o seu propósito? Está claro para toda a equipe? Seus clientes conhecem bem o “porquê” da sua existência? Você é referência em seu bairro ou em sua cidade? O que precisa ser feito para a sua escola se transformar em uma empresa de sucesso?

 

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Foto: Pixabay/Geralt

 

COMEÇA PELO GESTOR

Numa estratégia com propósito, não importa se a sua empresa tem um, dois ou cinquenta mil funcionários. Metaforicamente falando, todos precisam ter “tatuado na pele” o porquê de sua existência, começando pelo gestor, pelo dono, pelo CEO. Já não basta mais “vestir a camisa”.

A grande dificuldade que muitos gestores sentem é em definir claramente este propósito. Parece algo que vai além da razão e por isso entram num conflito, até mesmo emocional, na busca infinita desse “porquê”.

É certo que os pensamentos, comportamentos e atitudes do gestor, do proprietário ou do líder máximo vão garantir o sucesso ou o fracasso do seu negócio. Também é certo que as pessoas se adequam facilmente a gestões inovadoras, principalmente quando se identificam com ela, quando criam vínculo emocional. O que toma mais tempo é o gestor entender que essa mudança precisa acontecer, e o mais rápido possível.

Em um ambiente educacional, onde devem prevalecer relações afetuosas para maximizar a aprendizagem e a formação de indivíduos preparados para esta nova economia, torna-se totalmente inaceitável e insustentável uma gestão focada no lucro ou em seu único crescimento, e totalmente desconectada do indivíduo ou do meio ambiente.

Trazendo a terceira lei de Newton para a realidade dos negócios, uma empresa só cresce quando o gestor adquire consciência da necessidade de contribuir para o crescimento dos outros, de todos que estão ao seu redor.

“Nunca se esperou tanto que as
organizações se engajem em
questões sociais e ambientais.”

Não basta que em casa você eduque seus filhos pelo exemplo. A gestão de um negócio precisa seguir exatamente essa mesma máxima. Não importa se o gestor é o maestro de uma grande orquestra ou de uma pequena banda: seu comportamento, suas atitudes, suas palavras devem estar dentro da melodia. Se ele não der o ritmo ou sair do padrão estabelecido, cada integrante vai tocar no seu tempo, do seu jeito. Pode sair alguma música, mas não será a mais agradável aos ouvidos. E aposto que você não gostaria de estar nesta plateia.

 

 

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Imagem: Pixabay/Pixaline

 

COMUNICAR É FUNDAMENTAL

Outro erro do gestor, e aí entra a sua responsabilidade, é o de acreditar que o seu propósito é tão óbvio, que seus interlocutores conseguem “captar no ar” essa energia. Ou então, vemos empresas gastando tempo e dinheiro, até mesmo com grandes consultorias, para definir sua missão, visão e valores, imprimem lindas frases em quadros na parede e, como resultado, ninguém se lembra, ninguém lê e ninguém pratica. Conhece empresa assim?

A comunicação, que é o calcanhar de Aquiles onde estejam duas ou mais pessoas, quase nunca é valorizada. Aliás, muitos valorizam de forma equivocada ou até chamam de Marketing, sem se dar conta de que “comunicar” é estratégico. Um gestor pode comunicar com seus gestos, com suas decisões, com seu olhar – sem falar uma palavra. Daí a importância de ter um propósito claro para nortear suas ações e comunicações. E que esse propósito seja disseminado todos os dias, seja verbalmente ou nas mais diversas formas de comunicação.

Aliás, é fácil comunicar boas notícias e isso contribui infinitamente para algo tão importante, chamado reputação. A imagem que um gestor constrói dele mesmo ou de sua empresa vai repercutir diretamente em todos os seus resultados: pessoais ou empresariais.

Exemplo disso é o quanto os perfis nas redes sociais vem sendo consultados para todas as formas de relacionamento humano. A empresa consulta o perfil do profissional antes de convidá-lo para uma seleção ou contratação. Um profissional busca informações sobre a empresa contratante para decidir se quer ou não fazer parte do seu quadro. E o que dizer do futuro cliente que realiza uma enorme pesquisa sobre o seu fornecedor, antes de fechar uma compra?

As informações que cada um expõe nas redes sociais ou nas mídias são hoje as grandes influenciadoras nas tomadas de decisão. Uma das enormes vantagens de se adotar uma gestão com um objetivo maior é a de que terá uma grande quantidade de informações positivas para disseminar, o que contribui diretamente para o sucesso de qualquer empresa. Dessa forma, uma boa gestão consegue até mesmo reduzir o investimento em marketing, pois terá um aumento significativo da propaganda boca-a-boca e de mídia espontânea.

 

COMO PROMOVER A MUDANÇA?

Voltar a gestão para fomentar relacionamentos humanos mais afetuosos, respeitosos e éticos é uma decisão inteligente e que conduz a todos a um estado desejado universalmente: o de felicidade.

Assim, se você também acredita que pode contribuir para uma transformação social em sua escola, em seu bairro e até em sua cidade, já tem aí em seu coração um sentimento forte para implantar uma estratégia de gestão com propósito, para então colher resultados incríveis. E, de quebra, contribuir para o desenvolvimento do nosso país.

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Lucy De Miguel — Doutora em Ciências da Informação, professora de MBA nas disciplinas de Comunicação Corporativa e jornalista especializada em Primeira Infância. É idealizadora do Programa Escolas do Bem, o primeiro programa de responsabilidade social nas escolas do Brasil, coordenado pelo Instituto Noa.